Consumidor não pode alegar prescrição de dívida se a demora para compor o processo é da Justiça

Consumidor não pode alegar prescrição de dívida se a demora para compor o processo é da Justiça

Não se justifica o acolhimento da prescrição intercorrente se a paralisação da execução ocorre por inércia do Poder Judiciário, fixou a Desembargadora Nélia Caminha Jorge, ao apreciar recurso contra o Bradesco, em execução de dívida movida contra A.A.S. O consumidor havia embargado a execução da dívida contra si, em cumprimento de sentença na qual o juiz julgou improcedente o teor dos embargos opostos. Debateu, ainda, o interessado, o fato de que as taxas de juros estiveram acima da média do mercado.

Quanta a discrepância dessas taxas, o levante jurídico também não obteve êxito, sendo igualmente rejeitado, mormente porque o recurso repetiu tese que não encontrou apoio jurídico nos autos. Isto porque,  ante a incidência, no caso corneto,  da previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal, previsão que é considerada suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual descrita no contrato. 

No caso concreto os autos haviam restado paralisados por anos. A jurisprudência é firme no propósito de que a inércia do processo, quando causada pelos mecanismos inerentes à justiça, o credor não pode ser responsabilizado pelas suas consequências. O STJ dispõe na Súmula 106 que ‘proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício, a demora na citação, por motivos inerentes ao mecanismo da Justiça, não justifica o acolhimento da arguição de prescrição’. 

O Bradesco havia proposto a execução de título extrajudicial em que efetuou a cobrança de dívida representada por cédulas de crédito bancário de empréstimo na modalidade capital de giro, com ação proposta em 2013, porém a citação do executado somente se deu em 2020, sete anos depois. Mas o banco propôs a citação dentro do período legítimo. A apelação do interessado foi julgada improcedente. 

Processo nº 0001380-53.2020.8.04.5601

Leia o acórdão:

Processo: 0001380-53.2020.8.04.5601 – Apelação Cível. Apelante : A. de A. S. Relator: Nélia Caminha Jorge. Revisor: Revisor do processo Não informado EMENTA – DIREITO CIVIL, CONSUMERISTA E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. APELAÇÃO CÍVEL. CONHECIMENTO PARCIAL. OFENSA À DIALETICIDADE. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. DESCABIMENTO. INÉRCIA DO PODER JUDICIÁRIO. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. LEGALIDADE. SÚMULA 541 STJ. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. DESNECESSIDADE DA PROVA PERICIAL. APELAÇÃO CONHECIDA EM PARTE E DESPROVIDA

 

Leia mais

Tratamento de criança com autismo garante manutenção de plano de saúde de toda a família

Juiz Roberto Santos Taketomi determinou que operadora preserve cobertura do menino e dos pais, mediante pagamento das mensalidades, e mantenha terapias em clínica particular. A...

STF afasta licença ambiental municipal para instalação de antenas de operadora em Manaus

Segunda Turma rejeitou recurso do MPAM e manteve decisão de Dias Toffoli que afastou a exigência no caso, por considerar a competência da União...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Sem provar vazamento de informação, locadora de veículos terá de reverter justa causa de vendedora

A Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou o recurso da Movida Locação de Veículos S.A., de São...

Rede de supermercados é condenada por irregularidades no trabalho de aprendizes

A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve condenação de duas empresas responsáveis pelos Supermercados Comper em Cuiabá...

STJ prioriza liberdade de informação em notícia de interesse social envolvendo figura pública

A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmou que, em casos envolvendo pessoas públicas e fatos de...

Trabalhador rural exposto a calor excessivo receberá horas extras por pausas não concedidas

 A Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho condenou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) a pagar horas...