Cidadão será indenizado por município após ter a casa alagada por galeria pluvial obstruída

Cidadão será indenizado por município após ter a casa alagada por galeria pluvial obstruída

Um morador do extremo sul catarinense será indenizado pelo município por sua residência ter sido alagada várias vezes durante 20 anos. A água é proveniente de uma galeria pluvial que fica localizada no terreno. A gota d’água foi no dia 20 de fevereiro de 2016, quando houve uma inundação de grande porte na região e o nível de água dentro da casa do homem chegou a 50 centímetros de altura, danificando móveis e eletrodomésticos. O autor afirma que a enxurrada aconteceu por falta de manutenção e reparos na galeria, que compõe o sistema urbano de drenagem.

Em 1º grau, na Vara Única da comarca de Turvo, foi concedida indenização por danos materiais no valor de R $18 mil, correspondente a 50% dos gastos apresentados pelo autor e a condenação do município por danos morais foi julgada improcedente. Ambas as partes apresentaram recurso de apelação.

O autor pleiteiou ressarcimento por parte do município do valor total de seus prejuízos, R$ 36 mil, além do pagamento de indenização por danos morais pelo abalo que sofreu. Ele alega que na data da inundação havia visitas hospedadas em sua residência, que passaram pelo desconforto da situação e auxiliaram na retirada dos móveis para que não fossem atingidos pela água.

O município réu pugnou pela reforma da sentença e alegou que a culpa pelo acúmulo de água no imóvel do autor se deu por desnível do terreno em relação à galeria. Afirmou também que “não existe comprovação da falta de serviços, ou omissão da administração pública, sendo o presente fruto da ocorrência de caso fortuito, aliado a desnível do terreno do Apelante”.

Em seu voto, a desembargadora relatora da matéria destacou o laudo pericial realizado por um engenheiro civil que apontou problemas no escoamento de água da galeria, que seriam sanados com manutenção corretiva e preventiva. O perito avalia que existe risco de novos alagamentos no imóvel do autor, caso não haja reparos. A magistrada ressaltou que “é patente, no caso, a omissão do ente municipal que, ciente dos problemas apresentados pelo sistema de drenagem pluvial no terreno de propriedade da parte autora, deixou de prestar os serviços que lhe competiam para evitar o aumento das proporções do alagamento e, por conseguinte, dos prejuízos suportados”.

A 4º Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça concedeu provimento aos pedidos do autor, condenando o município a pagar indenização de R$ 10 mil por danos morais, reparação integral dos danos materiais e obrigação de fazer, consistente na reforma e reparos na galeria pluvial conforme as recomendações técnicas. A decisão foi unânime.

(Apelação Nº 0300583-73.2016.8.24.0076/SC)

Com informações do TJ-SC

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