MPSP verifica problemas de serviço exclusivo em trens para festival

MPSP verifica problemas de serviço exclusivo em trens para festival

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) verifica denúncias da Federação Nacional dos Metroferroviários (Fenametro) na operação dos trens metropolitanos da capital paulista que atenderam passageiros em deslocamento para o festival The Town. Atrasos, superlotação e confusão nas linhas foram algumas das situações relatadas. Os primeiros dias do evento ocorreram no fim de semana, no Autódromo de Interlagos, na zona sul paulistana.

Os problemas foram registrados nas linhas 8 e 9 de trens metropolitanos, operadas pela Via Mobilidade. A concessionária tentou implantar um sistema de trens expressos, com poucas paradas, com valores mais altos, com opções de passagens a R$ 40 e R$ 15. A passagem regular custa R$ 4,40. A venda foi autorizada pela Justiça, mas com o compromisso de que o transporte comum não fosse afetado.

“Quem pagou R$ 4,40, que foi a grande maioria da população, foi prejudicada pelo sistema exclusivo, que de fato exclui”, reclama Alex Santana, diretor da entidade. Ele disse que passageiros regulares ficaram aguardando até 40 minutos nas plataformas. “Cai por terra o argumento que a empresa utilizou no tribunal e, portanto, a gente pede para o Ministério Público que intervenha, entrando como parte interessada dessa ação, para que suspenda esse serviço exclusivo nos próximos dias de evento”.

A programação do festival The Town será retomada nesta quinta-feira (7).

Passageiros denunciaram que, para acelerar a viagem de quem pagou caro, foi preciso esperar muito tempo nas plataformas e enfrentar viagens incompletas. Foi o caso de um passageiro, que não quis se identificar, que saiu da estação Mendes-Vila Natal e precisou descer quatro estações depois porque o trem voltou para buscar passageiros da linha expressa.

“A gente de Mendes-Vila Natal esperando mais de 40 minutos e o trem esvazia aqui na [estação] Autódromo para voltar para Mendes-Vila Natal. A gente que paga passagem para trabalhar é esse lixo”, denunciou.

Os trens também passaram a operar em velocidade mais baixa e os usuários eram informados, já nas catracas, que iam enfrentar problemas. “Estamos com intervalo maior no trecho. É critério dos clientes adentrar a estação e esperar o trem”, informava um funcionário da Via Mobilidade.

Também houve pessoas passando mal dentro de trens que ficaram longos tempos parados na via, plataformas e vagões superlotados e até mesmo um trem que pegou fogo em função de uma pane elétrica. O serviço também não cumpriu o que prometeu para quem pagou mais caro e precisou enfrentar demora, superlotações e trajetos com muitas paradas, denuncia a Fenametro.

Uma das passageiras que contratou o serviço expresso conta que chegou na estação Autódromo por volta de 23h40, e aguardou mais de 1 hora para seguir viagem, e que parte desse tempo ficou dentro do vagão, com portas fechadas, sem informações.

“As pessoas chamavam, batiam nas portas, ninguém abria, as pessoas ficaram angustiadas, ansiosas, algumas passando mal e começaram a bater com mais força. O pessoal foi ficando mais nervoso. Depois de um tempo abriram as portas, as pessoas saíram nervosas de dentro do trem, porque ficamos trancados lá dentro sem saber o que estava acontecendo, sem saber quando íamos sair. Depois dessa situação, que o pessoal saiu mais nervoso, falaram que era para entrar no trem que ia sair”, relata um passageiro.

Em nota, a Via Mobilidade disse que a estratégia oferece uma alternativa de transporte para o público do evento, que reduz o trânsito na cidade e a emissão de CO2. A concessionária confirmou que segue oferecendo viagens em trens expressos e semiexpressos para os próximos dias do The Town, no valor de R$ 40 para o serviço expresso e R$ 15 para o semiexpresso. Os próximos shows estão marcados para os dias 7, 9 e 10 setembro.

A reportagem procurou o governo de São Paulo, responsável por fiscalizar a prestação de serviço da concessionária, mas ainda não teve retorno.

Falhas

A Via Mobilidade já enfrenta questionamentos do Ministério Público por constantes falhas na oferta dos serviços.

Em agosto, a empresa assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social e do Consumidor da cidade de São Paulo, que prevê a implantação de melhorias nas linhas 8 – Diamante e linha 9 – Esmeralda do sistema de trens metropolitanos de São Paulo para atender aos direitos e interesses de usuários e consumidores.

O termo também prevê o pagamento de uma indenização por danos materiais e morais coletivos de R$ 150 milhões.

Com informações da Agência Brasil

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