Dispensa pode ser discriminatória mesmo quando não é imediata

Dispensa pode ser discriminatória mesmo quando não é imediata

O simples fato de a dispensa não ter ocorrido logo após o empregador tomar conhecimento da doença do empregado não afasta a hipótese de discriminação.

Com esse entendimento, a Vara do Trabalho de Itu (SP) anulou a dispensa de uma empregada doméstica incapacitada para o trabalho e condenou o empregador a pagar indenização por danos morais no valor de R$ 10 mil, além de salários e outras verbas trabalhistas em dobro até a data da aposentadoria da autora.

A empregada contraiu uma doença cardíaca grave e foi dispensada. Cerca de um ano depois, ela se aposentou. Representada pelo advogado Rogério Luis Binotto Ming, a trabalhadora alegou à Justiça que a dispensa foi discriminatória.

Já o empregador argumentou que dispensou a autora cerca de um ano e meio depois de ter ciência da doença. Também disse que ela estava apta para o trabalho no momento da rescisão. Por fim, ele afirmou que sua empresa precisou dispensar nove empregados no mesmo período, por necessidade de contenção de despesas.

O juiz Ronaldo Capelari observou que a empregada foi considerada inapta para o trabalho no exame demissional. Ele ainda ressaltou o depoimento de uma testemunha, segundo a qual duas empregadas foram contratadas para trabalhar na residência em questão após o afastamento da autora — ou seja, não houve redução do quadro de trabalhadores, como alegado pelo empregador.

O magistrado também lembrou que a Lei 8.213/1991 autoriza a concessão de auxílio-doença e de aposentadoria por invalidez sem período de carência aos portadores de cardiopatia grave.

“O trabalhador deve ser tratado com dignidade e não pode ser descartado no momento em que mais precisa do trabalho, por ser portador de uma doença grave e progressiva”, assinalou.

Leia a decisão

Processo 0010317-29.2021.5.15.0018

Com informações do Conjur

Leia mais

Sem mostrar violação a precedente do STF, Coari tem reclamação rejeitada sobre bloqueio de verbas

O Supremo Tribunal Federal não conheceu da Reclamação 88.242, ajuizada pelo Município de Coari contra decisões do Juízo da 2ª Vara da Comarca de...

STF cassa decisão do TRT-11 e restabelece contrato sem vínculo trabalhista no Amazonas

Em decisão de conteúdo constitucional, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, cassou acórdão do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região que...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Sem mostrar violação a precedente do STF, Coari tem reclamação rejeitada sobre bloqueio de verbas

O Supremo Tribunal Federal não conheceu da Reclamação 88.242, ajuizada pelo Município de Coari contra decisões do Juízo da...

STF cassa decisão do TRT-11 e restabelece contrato sem vínculo trabalhista no Amazonas

Em decisão de conteúdo constitucional, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, cassou acórdão do Tribunal Regional do...

STJ mantém decisão que nega progressão funcional retroativa a auditores-fiscais

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou provimento ao Recurso Especial nº 2.264.076/DF, interposto pela Federação Nacional dos Auditores-Fiscais...

STF suspende lei mineira que exigia informações adicionais em rótulos de produtos para animais

O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu trechos da Lei Estadual de Minas Gerais nº 22.231/2016, na redação dada pela Lei 25.414/2025, que obrigava a inclusão de informações sobre canais públicos de...