Plano deve fornecer a testemunha de Jeová técnica alternativa à transfusão

Plano deve fornecer a testemunha de Jeová técnica alternativa à transfusão

O objetivo do contrato entre um cliente e um plano de saúde não pode ser violado por uma interpretação restritiva dos direitos do consumidor, em respeito aos princípios da função social do contrato e da boa-fé objetiva.

Com base nesse entendimento, a juíza Ariane de Fátima Alves Dias Paukoski Simoni, da 1ª Vara Cível do Foro Regional de Santana, na capital paulista, condenou uma operadora de plano de saúde a fornecer o procedimento patient blood management (PBM) a um paciente diagnosticado com leucemia mieloide aguda.

O autor da ação, que é testemunha de Jeová — e, portanto, tem restrições para transfusão de sangue —, narrou nos autos que seu médico recomendou que ele fosse submetido a um transplante de células-tronco de medula óssea com técnicas de PMB.

Ao solicitar a autorização do plano de saúde, ele teve o pedido negado. Na ação, o autor pediu que a empresa autorizasse o procedimento e indicasse na rede credenciada um prestador de serviço habilitado a fazê-lo.

Ao analisar o caso, a magistrada destacou que o autor e seus familiares são testemunhas de Jeová e que o uso da técnica PMB visa a controlar eventual perda sanguínea durante o procedimento.

“Dessa forma, presentes os requisitos legais, concedo a tutela específica, para o fim de impor à ré o dever de autorizar e custear o procedimento de realização de transplante de medula óssea alogência haploidentico com doador familiar (pai) conforme protocolo não mieloablativo e técnicas do Patient Blood Management”, decidiu a juíza.

Por fim, a julgadora estipulou multa diária de R$ 5 mil, até o limite de R$ 80 mil, em caso de descumprimento da decisão.

Processo 1002289-46.2024.8.26.0001

Com informações do Conjur

Leia mais

Transferência dos riscos da fraude digital ao comerciante é abusiva, fixa Justiça contra fintech

A intermediadora de pagamentos, ao aprovar a transação e oferecer serviço de gestão financeira, assume o risco do empreendimento, respondendo objetivamente pelos prejuízos decorrentes...

Justiça condena faculdade a indenizar estudante por falhas na emissão de diploma

A falha na prestação de serviços educacionais por instituição privada de ensino superior, consistente na expedição de diploma em desconformidade com a carga horária...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Espera demasiada: Turma Recursal mantém indenização por demora em conserto de veículo

A Primeira Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal manteve condenação solidária imposta à seguradora e à concessionária...

Justiça condena locadora por cobrança de dano presumido contra cliente

O 7º Juizado Especial Cível e das Relações de Consumo de São Luís condenou a Unidas Locadora S.A. por...

Transferência dos riscos da fraude digital ao comerciante é abusiva, fixa Justiça contra fintech

A intermediadora de pagamentos, ao aprovar a transação e oferecer serviço de gestão financeira, assume o risco do empreendimento,...

Sem prova de dano ao erário, não se condena agente público por presunção, decide STJ

A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que a condenação de agentes públicos ao ressarcimento...