O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminha nesta terça-feira (31) ao Senado Federal a mensagem que formaliza a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.
O envio ocorre mais de quatro meses após o anúncio público do nome, feito em novembro do ano passado, e abre oficialmente a tramitação do processo de sabatina e votação pela Casa.
A demora no encaminhamento da documentação foi marcada por um impasse político entre o Palácio do Planalto e o Senado, especialmente em razão da resistência do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que, nos bastidores, preferia a indicação do senador Rodrigo Pacheco.
A retenção do envio formal foi utilizada pelo governo como instrumento de articulação, com o objetivo de ampliar o diálogo político e evitar uma sabatina precipitada em ambiente considerado desfavorável ao indicado.
Sem a mensagem presidencial, o Senado estava impedido de dar andamento ao rito constitucional de apreciação do nome. A postergação permitiu ao governo intensificar negociações com lideranças da Casa, incluindo conversas diretas entre Lula e Alcolumbre, além de interlocução com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, e com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Otto Alencar, responsável por conduzir a sabatina.
Nos bastidores, a avaliação do governo é a de que o cenário político se tornou mais receptivo ao nome do advogado-geral da União, embora persistam sinais de resistência entre senadores ligados ao centrão. A aprovação depende do voto favorável de, no mínimo, 41 dos 81 senadores, em votação secreta, após a sabatina na CCJ.
O núcleo da questão, portanto, não está apenas na formalização tardia da indicação, mas no impacto institucional que a escolha produziu na relação entre Executivo e Senado. A opção de Lula por Messias, em detrimento de um nome com maior trânsito político na Casa, expôs tensões na base de governabilidade e transformou a própria tramitação da indicação em peça central da articulação entre os Poderes.
