Justiça confirma: Deltan deve pagar R$ 135 mil a Lula por dano moral do “PowerPoint do tríplex”

Justiça confirma: Deltan deve pagar R$ 135 mil a Lula por dano moral do “PowerPoint do tríplex”

O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou, na última sexta-feira (25), o cumprimento da sentença que condenou o ex-procurador da República Deltan Dallagnol ao pagamento de R$ 135,4 mil ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a título de indenização por danos morais.

A condenação decorre da entrevista coletiva de 2016 em que Dallagnol, à frente da extinta força-tarefa da Lava Jato, utilizou uma apresentação em PowerPoint para ilustrar a denúncia do caso do tríplex no Guarujá, atribuindo ao então ex-presidente a condição de “comandante máximo” do esquema de corrupção investigado.

O valor da indenização foi inicialmente fixado em R$ 75 mil pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em decisão proferida em 2022, mas foi atualizado com a incidência de juros e correção monetária. De acordo com o juiz Carlo Brito Melfi, responsável pela ordem de cumprimento da sentença, Dallagnol deverá realizar o pagamento em até 15 dias, sob pena de multa de 10% e incidência de honorários advocatícios no mesmo percentual, conforme dispõe o artigo 523 do Código de Processo Civil.

A decisão transita em julgado, uma vez que o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou o último recurso cabível em junho de 2023, esgotando as possibilidades de impugnação da condenação. No entanto, a defesa do ex-procurador ainda poderá questionar judicialmente o cálculo da atualização do valor.

O fundamento central da condenação foi o entendimento de que houve excesso na forma como a denúncia foi apresentada à imprensa, com juízo antecipado de culpa, sem respaldo nos limites da peça acusatória. Para os ministros do STJ, o comportamento de Dallagnol extrapolou os deveres funcionais do cargo e violou os direitos de personalidade de Lula, ferindo sua honra e reputação, sobretudo pela exposição midiática nacional e internacional.

Durante a coletiva realizada em setembro de 2016, Dallagnol se utilizou de uma apresentação visual em PowerPoint com o nome de Lula no centro, rodeado de expressões como “propinocracia”, “mensalão” e “petrolão”, apontando-o como “maestro” de um esquema de corrupção sistêmica. Segundo os advogados do presidente, a apresentação promoveu um julgamento antecipado e alardeou imputações que sequer constavam da denúncia formalizada pelo Ministério Público Federal.

A exposição culminou na primeira condenação de Lula no âmbito da Lava Jato, imposta pelo então juiz federal Sérgio Moro, com pena inicial de nove anos e seis meses de reclusão, posteriormente reduzida para oito anos, dez meses e vinte dias. O petista cumpriu 580 dias de prisão, até que o Supremo Tribunal Federal reconheceu, em decisões posteriores, a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar os casos e a nulidade processual das ações, restabelecendo seus direitos políticos. 

Leia mais

HC ajuizado contra o próprio órgão apontado como coator não deve sequer ser conhecido, diz TJAM

Erro de alvo: O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) deixou de conhecer habeas corpus impetrado em favor de um réu acusado de homicídio...

Fuga, pouso forçado e incêndio do avião afastam versão de piloto sobre desconhecimento da droga

O julgamento consistiu na análise de recurso de apelação interposto após sentença condenatória proferida com base em denúncia do Ministério Público, segundo a qual...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

HC ajuizado contra o próprio órgão apontado como coator não deve sequer ser conhecido, diz TJAM

Erro de alvo: O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) deixou de conhecer habeas corpus impetrado em favor de...

Fuga, pouso forçado e incêndio do avião afastam versão de piloto sobre desconhecimento da droga

O julgamento consistiu na análise de recurso de apelação interposto após sentença condenatória proferida com base em denúncia do...

Plano de saúde é condenado por demora no fornecimento de medicamento oncológico

A 15ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais deu provimento ao recurso de uma família e...

Limitação de juros de consignado não alcança contratos firmados antes da vigência de novas regras

Regras que estabeleceram novos limites às taxas de juros aplicáveis a contratos de empréstimo consignado não podem ser utilizadas...