Empréstimo para estímulo de atividade empresarial não é regido por normas do CDC

Empréstimo para estímulo de atividade empresarial não é regido por normas do CDC

O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento consolidado no sentido de que o Código de Defesa do Consumidor não se aplica a contratos firmados por sociedades empresariais para capital de giro, uma vez que estas não são consideradas destinatárias finais dos serviços contratados.

Com essa disposição, a Terceira Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), sob relatoria do Desembargador João de Jesus Abdala Simões, julgou improcedente  recurso de apelação interposto por uma sociedade empresárial que  visou aplicar o CDC, em seu benefício, na discussão jurídica referente a um  contrato de empréstimo para capital de giro garantido por alienação fiduciária de imóvel.

A decisão, publicada em 10 de outubro de 2024, reforça a inaplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor (CDC) em contratos empresariais dessa natureza. 

No caso, a sociedade empresárial buscou a revisão da sentença que manteve a assinatura do contrato, sustentando a inaplicabilidade do CDC. A empresa tentou aplicar, ainda, a teoria finalista mitigada que permitiria considerar consumidora a pessoa física ou jurídica que, embora não seja tecnicamente a destinatária final do produto ou serviço, comprove sua vulnerabilidade.

Contudo, o colegiado decidiu que, conforme o entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), as empresas não são consideradas destinatárias finais em contratos de capital de giro. Além disso, prevaleceu o entendimento de que a Lei n. 9.514/1997, que regula a alienação fiduciária, é em especial, a norteadora de relações jurídicas desse nipe, afastando-se a aplicação do CDC. 

No caso foi contratado  um financiamento bancário para capital de giro, destinado a incrementar atividade produtiva e lucrativa, o que impede o enquadramento da empresa contratante no conceito de consumidora, definiu-se. 


Processo n. 0606144-18.2021.8.04.0001 
Classe/Assunto: Apelação Cível / Direito Autoral
Relator(a): João de Jesus Abdala Simões
Comarca: Manaus
Órgão julgador: Terceira Câmara Cível
Data do julgamento: 10/10/2024
Data de publicação: 10/10/2024

Leia mais

TRE/AM: Se o impedimento não alcança o registro da candidatura, é inútil cassar o diploma do eleito

O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) manteve o prefeito de Manicoré, Lúcio Flávio do Rosário, no exercício do mandato ao rejeitar recurso que...

Medida contra ato disciplinar aplicado a filiado de partido político deve ser endereçada ao juízo comum

A Justiça Eleitoral não é a via adequada para discutir atos disciplinares aplicados por partidos políticos a seus filiados quando a controvérsia se restringe...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Filho com paternidade reconhecida após morte de trabalhador pode pedir indenização

A Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho determinou o prosseguimento de uma ação ajuizada por um jovem cuja...

Insinuar desvio de dinheiro público contra candidato sem provas configura propaganda eleitoral irregular

A liberdade de expressão garante amplo espaço para críticas durante campanhas eleitorais, mas não autoriza a atribuição de ilícitos...

Justiça Federal reconhece trabalho infantil e garante aposentadoria a mulher

A Justiça Federal de Maringá (PR) concedeu o direito à aposentadoria por tempo de contribuição a uma trabalhadora de...

Justiça mantém decisão que afastou cobrança de ICMS de distribuidora de combustíveis de aviação

A 11ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve decisão da 5ª Vara da...