TJSP suspende pagamentos a juiz acusado de falsidade ideológica após 23 anos usando identidade falsa

TJSP suspende pagamentos a juiz acusado de falsidade ideológica após 23 anos usando identidade falsa

O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), desembargador Fernando Antonio Torres Garcia, determinou a suspensão de quaisquer pagamentos a que o juiz aposentado José Eduardo Franco dos Reis teria direito. A medida foi adotada após o magistrado se tornar réu em ação penal por falsidade ideológica e uso de documento falso.

Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), Reis teria usado o nome de Edward Albert Lancelot Dodd-Canterbury Caterham Wickfield durante 23 anos de magistratura.

Apresentando-se como descendente da nobreza inglesa, ele teria forjado uma carteira de identidade em 1980, quando ainda era estudante de Direito, dando início à construção de sua trajetória sob falsa identidade.

A fraude veio à tona apenas em 2023, quando ele tentou solicitar a segunda via do documento no posto do Poupatempo localizado na Praça da Sé, no centro da capital paulista. A incompatibilidade de dados levou à descoberta do golpe, desencadeando investigação conduzida pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO).

Com base nos elementos colhidos, o Ministério Público sustentou que o réu se beneficiou da falsa identidade para ingressar no serviço público e exercer a magistratura. A denúncia foi recebida pela Justiça, o que converteu José Eduardo Franco dos Reis em réu formal no processo criminal.

A decisão administrativa do presidente do TJSP interrompe o pagamento de proventos e outras verbas eventualmente devidas ao juiz aposentado até a apuração final dos fatos. Em nota, o tribunal afirmou que “repudia condutas incompatíveis com a ética e a legalidade exigidas dos membros da magistratura” e que “atuará com rigor para garantir a preservação da confiança da sociedade no Poder Judiciário”.

O processo criminal segue em curso, e, caso seja condenado, o magistrado poderá sofrer sanções penais e administrativas, incluindo a cassação de sua aposentadoria.

Leia mais

É dever, não é calúnia: Justiça tranca ação penal contra síndica que atuou para proteger adolescente

O Tribunal de Justiça do Amazonas, por meio da 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais, concedeu habeas corpus e determinou o trancamento de ação...

Justiça suspende repasse de consignados de servidores e segurados da Amazonprev ao Banco Master

Decisão proferida pela 2.ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Manaus determinou a suspensão dos repasses relativos a empréstimos consignados contratados por servidores...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

STF confirma aumento de pena para crimes contra a honra de servidores em serviço

Por maioria, o Plenário do Supremo Tribunal Federal confirmou a validade do dispositivo do Código Penal que autoriza o...

Rede social deve reativar conta de influencer que teve perfil suspenso sem justificativa

O 3º Juizado Especial Cível da Comarca de Natal determinou que uma rede social reative a conta de um...

Justiça declara ineficaz cláusula sobre saúde mental em cct por vício formal

A 7ª Turma do TRT da 2ª Região reverteu decisão de 1º grau por unanimidade e declarou a ineficácia...

Foragido nos EUA, Ramagem é ouvido pelo STF por videoconferência

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que está foragido nos Estados Unidos, prestou depoimento, por videoconferência, ao Supremo Tribunal Federal...