Pescador perde direito à indenização por danos causados por hidrelétrica devido à ação tardia no Amazonas

Pescador perde direito à indenização por danos causados por hidrelétrica devido à ação tardia no Amazonas

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) manteve a sentença que reconheceu a prescrição de ação indenizatória movida por um pescador, de Humaitá, contra as usinas hidrelétricas Santo Antônio e Jirau. Aplicando a teoria da actio nata, o relator, Desembargador João de Jesus Abdala Simões, destacou que o prazo prescricional trienal começou a correr em 2007, quando os danos alegados se tornaram inequívocos.

A ação, ajuizada apenas em 2014, foi considerada intempestiva. O acórdão reafirmou que a prescrição se inicia com o conhecimento do ato lesivo e de sua extensão. Assim, o recurso da parte autora foi desprovido, mantendo-se a decisão de primeiro grau.

Entenda

A Terceira Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Amazonas  negou provimento a recurso de apelação interposto por um pescador que buscava indenização por danos materiais e morais decorrentes da construção do Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira, composto pelas usinas de Santo Antônio e Jirau. O julgamento foi relatado por João de Jesus Abdala Simões, do TJAM.  

No recurso, o autor alegava que a construção das usinas teria causado danos ambientais que impactaram a atividade pesqueira, prejudicando seu sustento. No entanto, o colegiado manteve a sentença de primeira instância, que havia reconhecido a prescrição da pretensão indenizatória, nos termos do artigo 206, §3º, V, do Código Civil.

A decisão do TJAM baseou-se na teoria da actio nata, segundo a qual o prazo prescricional se inicia a partir do momento em que o titular do direito tem ciência inequívoca do dano e de sua extensão. O acórdão ressaltou que a construção das usinas e os alegados danos à comunidade ribeirinha começaram em 2007, sendo este o marco inicial para a contagem do prazo prescricional. Como a ação foi ajuizada apenas em 2014, ficou configurada a prescrição trienal.

O tribunal destacou que precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do próprio TJAM corroboram o entendimento de que o prazo para a reparação civil inicia-se com o conhecimento dos atos e de suas consequências, salvo demonstração de desconhecimento justificável do fato lesivo.

Com a decisão, restou consolidado o entendimento de que o prazo para buscar indenização por danos individuais decorrentes de degradação ambiental deve observar o prazo trienal, reforçando a necessidade de observância dos prazos prescricionais para ações indenizatórias.

Ementa do julgamento:
O prazo prescricional trienal para a reparação civil inicia-se com a ciência inequívoca do ato lesivo e de sua extensão, conforme a teoria da actio nata. Nos casos de danos causados pela construção de usinas hidrelétricas, o termo inicial é o início dos eventos causadores do dano, salvo demonstração de desconhecimento justificável do fato lesivo.” 

Processo n. 0001869-17.2014.8.04.4400  
Classe/Assunto: Apelação Cível / Indenização por Dano Material
Relator(a): João de Jesus Abdala Simões
Comarca: Humaitá
Órgão julgador: Terceira Câmara Cível

Leia mais

CNJ publica provimento sobre gratuidade de emolumentos a pessoas de baixa renda

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou, no último dia 22 de abril, o Provimento n.º 221, que trata do procedimento para a concessão...

Fim de suspensão por IRDR destrava ação e Justiça manda banco parar descontos sem prova de contrato

Com o julgamento do incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) sobre encargos bancários, a mora cred pess  e parcela de crédito pessoal, deve...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Promotores do Pará discutem ampliação de comarcas de difícil acesso para fins de gratificação

Promotores do Ministério Público do Pará discutem proposta que amplia o número de comarcas classificadas como de difícil acesso...

ONU Mulheres revela avanço da violência online contra jornalistas

Relatório lançado por ONU Mulheres, TheNerve e parceiros indica que 12% das mulheres defensoras de direitos humanos, ativistas, jornalistas, trabalhadoras da mídia...

Cirurgia no ombro de Bolsonaro ocorreu sem intercorrências, diz equipe

Após passar por uma cirurgia no ombro, o ex-presidente Jair Bolsonaro está em observação na unidade de terapia intensiva....

Rejeição inédita no Senado leva Jorge Messias a avaliar saída da AGU e expõe tensão na indicação ao STF

A rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal — fato inédito em mais de...