PF poderá ampliar investigações sobre vazamento de decisões no STJ

PF poderá ampliar investigações sobre vazamento de decisões no STJ

A Polícia Federal pretende aprofundar as investigações sobre o esquema de venda e vazamento de decisões no Superior Tribunal de Justiça (STJ), após identificar indícios de que outros servidores da Corte possam ter participado das irregularidades. Nenhum ministro, no entanto, está sob o crivo das investigações. 

O caso é apurado no âmbito da Operação Sisamnes, deflagrada para apurar fraudes em gabinetes de ministros e a suposta manipulação de julgamentos em troca de vantagens ilícitas.

O relatório preliminar da PF aponta que o grupo “reproduzia padrões típicos de atuação de organizações criminosas” e que o esquema “não se restringia aos servidores já identificados, mas integrava estrutura organizada voltada à manipulação de decisões judiciais”.

Três servidores — Daimler, Márcio e Rodrigo Falcão — já haviam sido apontados como participantes do esquema, atuando em gabinetes de ministros. A nova frente de apuração, porém, indica que outros funcionários também podem ter colaborado com o lobista Andreson Zampieri, principal articulador das tratativas.

Segundo o relatório, diálogos interceptados demonstram que interlocutores de Zampieri tinham “pleno conhecimento da tramitação interna do gabinete da ministra Gallotti, antecipando informações sobre pautas e movimentações processuais antes mesmo de sua divulgação oficial”. Para a PF, esse nível de acesso revela “envolvimento funcional que não se restringia a Daimler, alcançando outros servidores vinculados ao gabinete”.

A corporação destaca que a análise de mensagens e documentos digitais busca identificar “sinais e códigos camuflados” usados na comunicação entre os investigados. O relatório também registra que as suspeitas recaem sobre processos sob relatoria das ministras Maria Isabel Gallotti (sete casos) e Nancy Andrighi (cinco casos), além do vazamento de informações da Operação Faroeste, conduzida pelo ministro Og Fernandes.

A Operação Sisamnes — nome inspirado no juiz persa do século V a.C. que foi punido por corrupção — foi deflagrada para investigar a venda de decisões judiciais, o acesso privilegiado a despachos e o favorecimento de partes por meio de informações internas do tribunal.

O STJ informou, em nota, que colabora com as investigações e que as medidas administrativas cabíveis estão sendo tomadas. O caso é acompanhado com reserva por ministros da Corte, que tratam o episódio como o mais grave abalo institucional desde a criação do tribunal.

Leia mais

Com edital, Justiça Federal do Amazonas destina até R$ 80 mil a projetos socioambientais

A 7ª Vara Federal da Seção Judiciária do Amazonas abriu o Edital nº 01/2026 para a seleção de projetos de entidades públicas e privadas...

TRF1 transfere júri dos acusados de executar Bruno Pereira e Dom Phillips para Manaus

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou o desaforamento do Tribunal do Júri responsável por julgar Amarildo da Costa Oliveira e Jefferson da...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Plano de saúde não pode limitar tratamento de autismo com cobrança abusiva de coparticipação

A Terceira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça definiu regras claras para a cobrança de coparticipação em...

Sem comprovar necessidade de tratamento contínuo, bancária não terá plano de saúde vitalício

A Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho decidiu, por unanimidade, que uma bancária do Banco Bradesco S.A. não...

Custas processuais e honorários: entenda como funcionam

A Justiça brasileira conta com uma grande estrutura - física, de pessoal, de tecnologia - para que os processos...

Cliente deve ser ressarcida por medicamentos estragados após falha no fornecimento de energia

A 5ª Vara Cível da Comarca de Mossoró determinou que a Companhia Energética do Rio Grande do Norte (Cosern)...