Ex-dono do carro fica isento de dívidas desde a venda, mesmo sem comunicar ao Detran

Ex-dono do carro fica isento de dívidas desde a venda, mesmo sem comunicar ao Detran

O ex-proprietário do veículo não é responsável tributário a partir da venda, a menos que uma lei estadual exija a comunicação ao órgão de trânsito. Com essa disposição, decisão do Tribunal do Amazonas, liderada pelo Desembargador Cláudio Roessing, afastou a responsabilidade do antigo dono do veículo por dívidas de IPVA constantes no sistema de cobrança da Fazenda Pública estadual/Detran. 

A decisão atendeu a recurso de um antigo proprietário do automóvel que, em ação contra o Detran/Amazonas conseguiu apenas parcialmente a suspensão da inscrição do seu nome na Dívida Ativa Estadual, bem como o sobrestamento das multas e dos pontos na CNH  somente no que se referiu ao período posterior a  data em que foi comunicada a venda do veículo perante o Detran. O autor pretendeu o direito desde o ato da venda, como informado. 

Para tanto, demonstrou que o veículo foi vendido bem antes do período em que multas, infrações e lançamentos de IPVA foram lançados em seu nome,  ainda que a comunicação da venda ao Detran tenha ocorrido somente depois do ato da venda. O Estado, por seu turno, defendeu a existência de uma responsabilidade solidária entre o autor, que vendeu, e o adquirente que comprou o veículo, ponderando que somente a informação sobre a  transferência da propriedade perante o Detran é que teria a força de isentá-lo de obrigação tributária. 

De acordo com Cláudio Roessing, precedentes do STJ estabelecem que o ex-proprietário do veículo não é responsável tributário a partir da venda, a menos que uma lei estadual exija a comunicação ao órgão de trânsito. Concluiu que, no Estado do Amazonas, por não haver lei específica, existindo apenas um decreto nesse sentido, o caso deveria ser solucionado pela regra, e não pela exceção. 

O recurso foi julgado procedente.  

Processo n. 4005410-17.2022.8.04.0000 
Classe/Assunto: Agravo de Instrumento / Efeitos
Relator(a): Cláudio César Ramalheira Roessing
Comarca: Manaus
Órgão julgador: Primeira Câmara Cível
 Ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. TUTELA DE URGÊNCIA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. EX-PROPRIETÁRIO DE VEÍCULO. RECURSO PROVIDO 

Leia mais

Cármen Lúcia aponta questionamento tardio da defesa no Caso Fred e rejeita recurso de condenados

Ministra destaca intervalo de 12 anos sem contestação das irregularidades da instrução; decisão mantém penas de 33 anos e sete meses de prisão para...

STF barra pedido de aluguel social para famílias removidas pela Prefeitura de Manaus

Nunes Marques considera inadequada a via utilizada pela Defensoria e entende que ocupação recente não está abrangida pelas medidas invocadas na ADPF 828. O ministro...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Fachin homologa delação de investigado no caso Master

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu nesta sexta-feira (6) homologar a delação premiada do...

Justiça Federal rejeita ação de improbidade contra Bolsonaro

A Justiça Federal decidiu rejeitar na quinta-feira (5) uma ação de improbidade administrativa protocolada pelo Ministério Público Federal (MPF)...

Justiça Eleitoral terá atendimento remoto em Libras

Pessoas surdas ou com deficiência auditiva poderão contar com intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) durante o atendimento...

Advogada é condenada a retirar publicação nas redes sociais que incentivava demissões por convicção política

A 1ª Vara do Trabalho de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, determinou que uma advogada retire de suas redes...