Uber e Bradesco são condenados por débitos indevidos em cartão de crédito no Amazonas

Uber e Bradesco são condenados por débitos indevidos em cartão de crédito no Amazonas

Cobranças reiteradas por serviços não contratados junto à Uber foram classificadas pelo Juiz Diógenes Vidal Pessoa Neto, da Vara Cível, como falha grave na prestação do serviço. O magistrado reconheceu a responsabilidade solidária entre a Uber e o Banco Bradesco, determinando que ambos restituam, em dobro, os valores indevidamente cobrados e indenizem o autor por danos morais.

Cobranças reiteradas por serviços não contratados junto à Uber foram classificadas pelo Juiz Diógenes Vidal Pessoa Neto, da 6ª Vara Cível e de Acidentes de Trabalho de Manaus, como falha grave na prestação do serviço. O magistrado reconheceu a responsabilidade solidária entre a Uber do Brasil Tecnologia Ltda. e o Banco Bradesco S/A, determinando que ambos restituam, em dobro, os valores indevidamente cobrados e indenizem o autor por danos morais.

A decisão foi proferida em ação ajuizada por empresa do setor comercial, que alegou ter identificado descontos indevidos em seu cartão de crédito corporativo, atribuídos a serviços da Uber que jamais contratou. De acordo com os autos, os débitos se repetiram ao longo dos anos de 2023 e 2024, somando mais de R$ 90 mil, mesmo após sucessivas tentativas de solução administrativa.

Ao analisar o caso, o juiz destacou a aplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor, reconhecendo a hipossuficiência da parte autora e determinando a inversão do ônus da prova. As rés, no entanto, não apresentaram documentos que comprovassem a contratação dos serviços, como autorizações expressas ou comprovantes de adesão, atraindo a presunção de veracidade das alegações iniciais.

“A culpa das rés está evidente na modalidade negligência e imperícia em cobrar do autor valores referentes a produto não contratado”, afirmou o magistrado, ao enfatizar o dever dos fornecedores de garantir segurança, informação clara e formalização regular de contratos com o consumidor.

Com base no art. 42, parágrafo único, do CDC, a sentença determinou a devolução em dobro dos valores cobrados indevidamente, com correção monetária e juros de mora. Também fixou indenização por danos morais no valor de R$ 1.500,00, considerando o abalo ao sossego e à confiança da empresa consumidora, que não conseguiu impedir os descontos mesmo após diversas tentativas.

As rés também foram condenadas ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, fixados em 10% sobre o valor da condenação, conforme o art. 85, § 2º, do Código de Processo Civil.

A decisão reforça o entendimento de que falhas na segurança de plataformas digitais e serviços bancários, quando afetam o consumidor, ensejam responsabilidade civil solidária, mesmo em casos em que a origem do vício é controversa ou compartilhada entre fornecedores.

Autos nº: 0524910-09.2024.8.04.0001

Leia mais

Justiça revoga entraves contra empréstimo de R$ 1,46 bilhão do Amazonas

O juiz Ricardo Augusto Campolina de Sales, da 3ª Vara Federal Cível do Amazonas, revogou todas as decisões liminares que ainda impunham restrições ao...

Dívida no Serasa Limpa Nome não equivale à negativação e dispensa notificação prévia

A 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) decidiu que a simples inclusão de uma dívida na plataforma...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça revoga entraves contra empréstimo de R$ 1,46 bilhão do Amazonas

O juiz Ricardo Augusto Campolina de Sales, da 3ª Vara Federal Cível do Amazonas, revogou todas as decisões liminares...

Dívida no Serasa Limpa Nome não equivale à negativação e dispensa notificação prévia

A 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) decidiu que a simples inclusão...

Quitar parcelas em atraso depois da ação não impede busca e apreensão de veículo

O pagamento de parcelas vencidas após o ajuizamento de uma ação de busca e apreensão não é suficiente, por...

Juiz afasta tese da Apple sobre venda de iPhone sem carregador e manda indenizar consumidor no Amazonas

O juiz Francisco Carlos Gonçalves de Queiroz entendeu que o aviso prévio sobre a ausência do carregador e a...