Investigadores que atuam no caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro apontaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) indícios de que integrantes da defesa teriam tomado conhecimento antecipado de uma ordem de prisão que tramitava sob sigilo.
A suspeita consta de representação enviada à Corte e menciona mensagens obtidas após a quebra de sigilo do telefone do investigado.
De acordo com os investigadores, uma das mensagens foi enviada pela defesa poucas horas antes da primeira prisão de Vorcaro. No texto, o defensor escreveu: “Estamos infernizando ele”, em referência atribuída ao juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, responsável por decisões no caso.
As mensagens analisadas teriam sido obtidas a partir do celular de Vorcaro, cujo conteúdo foi acessado após autorização judicial para quebra de sigilo telemático.
Desde o ano passado, investigadores apuram a hipótese de vazamento de informações sigilosas do inquérito que apura irregularidades relacionadas ao Banco Master. A suspeita é que Vorcaro tenha sido avisado previamente sobre a operação da Polícia Federal e, por isso, teria tentado deixar o país em um jatinho particular. Ele foi detido no aeroporto de Guarulhos (SP) momentos antes do embarque. O ex-banqueiro nega tentativa de fuga e afirma que viajaria para negociar a venda do banco a investidores dos Emirados Árabes Unidos.
Entre os elementos apreendidos também há anotações no bloco de notas do celular com nomes de autoridades e agentes públicos, incluindo o juiz responsável pelo caso, um procurador do Ministério Público Federal (MPF), servidores do Banco Central e delegados da Polícia Federal. Em um dos registros, associado ao nome do magistrado, aparece a pergunta: “Vocês são próximos?”. Segundo os investigadores, esse conteúdo pode indicar tentativa de obstrução de Justiça, embora o destinatário da anotação ainda não tenha sido identificado.



