ICMS sobre arrendamento mercantil internacional deve prevalecer se empresa não prova isenção

ICMS sobre arrendamento mercantil internacional deve prevalecer se empresa não prova isenção

O Estado do Amazonas impugnou sentença que concedeu segurança para que não fosse realizado pagamento de Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), sobre contratos de arrendamento mercantil operacional internacional. O Estado defendeu não  ser possível a criação de sistema híbrido para aplicação parcial de regime tributário especial 

O Tribunal de Justiça do Amazonas, com voto da Desembargadora Luíza Cristina Nascimento Marques, reverteu uma sentença de primeira instância que havia isentado uma empresa do pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em contratos de arrendamento mercantil operacional internacional.

O recurso de apelação foi interposto pelo Estado do Amazonas contra a decisão que havia concedido a segurança para isentar o tributo.

O caso envolve a opção de uma pessoa Pessoa Jurídica pelo Regime Aduaneiro de Admissão Temporária, regulado pelo Decreto-Lei n.º 37/1966, Decreto n.º 6.759/2009, Lei Federal n.º 6.099/74, e Convênio ICMS n.º 58/99.

No entanto, a ausência de provas documentais por parte da empresa para obter o benefício foi determinante para a reversão da sentença.

A decisão destacou que não foram apresentados nos autos os documentos relativos à cobrança do ICMS contestado, nem a cópia do processo administrativo protocolado perante a Secretaria de Fazenda do Estado do Amazonas, que tratava do pedido de Regime Especial de Admissão Temporária dos equipamentos geradores de energia elétrica.

Citando a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a Desembargadora  enfatizou que, em mandados de segurança, “a prova do direito líquido e certo deve ser manifesta, pré-constituída, apta, assim, a favorecer, de pronto, o exame da pretensão deduzida em juízo”.

A decisão do Colegiado considerou que a empresa foi omissa  em produzir as provas necessárias à constituição do direito alegado quanto à isenção tributária guerreada. O Tribunal decidiu por conhecer e prover o recurso, resultando na denegação da segurança anteriormente concedida. Assim, no caso concreto e individual, o pagamento do ICMS sobre os contratos de arrendamento mercantil operacional internacional deve ser realizado conforme a legislação vigente.

Processo: 0401046-65.2023.8.04.0001

Apelação Cível / ICMS/ImportaçãoRelator(a): Luiza Cristina Nascimento da Costa MarquesComarca: ManausÓrgão julgador: Câmaras ReunidasData do julgamento: 05/06/2024Data de publicação: 05/06/2024

Leia mais

Pedido judicial de benefício diverso do requerido ao INSS leva à extinção da ação na Justiça

A decisão aplica o entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça no Tema 1124, segundo o qual a alteração da pretensão, acompanhada de novos...

Liberdade de expressão não protege discurso de ódio por procedência nacional, decide TRF1

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) manteve a condenação de um empresário de Rondônia por publicações discriminatórias contra nordestinos feitas no Facebook...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Embriaguez, alta velocidade e invasão de calçada podem levar motorista a júri por tentativa de homicídio

A combinação de embriaguez ao volante, excesso de velocidade, invasão de calçada e atropelamento de pedestres pode caracterizar, em...

Maus-tratos a animais permitem resgate sem mandado

A situação de maus-tratos causada pela privação de alimento, água e condições mínimas de higiene autoriza a entrada de...

Homicídio praticado com dolo eventual não impede aplicação de qualificadoras

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmou que o reconhecimento do dolo eventual em um homicídio não impede, por...

Erro na execução não cria novo crime quando o disparo atinge pessoa diferente da pretendida

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmou que, quando uma pessoa tenta matar determinada vítima, mas por erro na...