Justiça manda União esclarecer controle de dragas usadas no garimpo ilegal na Amazônia

Justiça manda União esclarecer controle de dragas usadas no garimpo ilegal na Amazônia

Juíza federal Mara Elisa Andrade determina manifestação em 15 dias úteis sobre ação do MPF que aponta falhas na fiscalização da Marinha e pede medidas contra o garimpo nos rios amazônicos.

A Justiça Federal no Amazonas determinou que a União se manifeste sobre falhas apontadas pelo Ministério Público Federal (MPF) no controle de dragas utilizadas no garimpo ilegal na Amazônia. A ação questiona a inscrição de embarcações sem comprovação de regularidade ambiental e minerária, a falta de rastreamento e dificuldades na responsabilização de infratores. Antes de decidir sobre as medidas urgentes solicitadas, a juíza Mara Elisa Andrade concedeu prazo de 15 dias úteis para a apresentação de defesa e esclarecimentos.

A ação civil pública sustenta que a Marinha do Brasil permite o registro de dragas sem exigir previamente licença ambiental ou autorização minerária, embora esses documentos sejam necessários à atividade de extração. Segundo o MPF, essa separação entre registro e autorização para operar pode conferir aparência de legalidade a embarcações utilizadas clandestinamente. O órgão também aponta deficiência na fiscalização de estaleiros e ausência de controle sistemático por satélite.

A investigação teve como um dos pontos de partida o caso de uma draga apreendida e destruída em 2023, no rio Japurá, após fiscalização que constatou a ausência de licença ambiental. Conforme o MPF, a Marinha inicialmente recusou a abertura de procedimento administrativo contra o proprietário, alegando perda da prova material com a destruição da embarcação. Uma decisão judicial posterior determinou a autuação, demonstrando, na avaliação do Ministério Público, que a responsabilização pode ocorrer mesmo sem a preservação física da draga.

Na ação atual, o MPF pretende obrigar a União a estabelecer vistorias prévias, rastreamento por satélite, fiscalização de estaleiros e procedimentos de autuação baseados em fotografias, relatórios e outras provas indiretas. Também pede novas normas para o controle das embarcações na Amazônia Legal. A Marinha, segundo documentos apresentados no processo, informou que já realiza patrulhas e inspeções, mas apontou limitações operacionais e a necessidade de decisões normativas de órgãos superiores.

Ao examinar o pedido, a juíza Mara Elisa Andrade considerou que a natureza estrutural da ação recomenda cautela antes de impor novas obrigações à administração federal. Por isso, adiou a apreciação da tutela de urgência até ouvir a União, sem conceder nem rejeitar, por enquanto, as medidas propostas pelo MPF. Após a manifestação, o processo retornará para análise judicial.

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