Ter confessado o crime de estupro não permite reduzir a pena abaixo do mínimo legal

Ter confessado o crime de estupro não permite reduzir a pena abaixo do mínimo legal

A pretensão de obter a redução da quantidade da pena privativa de liberdade aquém do mínimo legal, especialmente na segunda fase do lançamento dessa pena, quando aplicada pelo juiz, na sentença condenatória, não é pertinente. “O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento consolidado no sentido de que a incidência da circunstância atenuante, na segunda fase da dosimetria, não pode conduzir à redução da reprimenda em patamar aquém do mínimo legal”, deliberou a Desembargadora Vânia Maria Marques Marinho, ao relator recurso de P.F .da C, que pediu a redução ao ser condenado por estupro de vulnerável. 

Destacou-se também que seria impossível afastar a condenação pelo estupro de vulnerável na modalidade continuada, porque o réu, mediante mais de uma ação, praticou crimes da mesma natureza, nas mesmas condições de tempo, lugar e maneira de execução.

Nos crimes contra a liberdade sexual, a palavra da vítima goza de relevância quanto em harmonia com as demais provas dos autos, tendo em vista que os delitos dessa natureza ocorrem, geralmente, à distância de quaisquer testemunhas e comumente não deixam vestígios. 

O crime de estupro de vulnerável consiste em ter conjunção carnal ou praticar ato libidinoso com menor de 14 anos e tem pena máxima prevista em 15 anos de reclusão.

Processo nº 0000166-98.2020.8.04.7000

Leia o acórdão:

Processo: 0000166-98.2020.8.04.7000 – Apelação Criminal, Vara Única de São Paulo de Olivença Apelante : P. F. da C. Relator: Vânia Maria Marques Marinho. Revisor: João Mauro Bessa PENAL E PROCESSO PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. INSURGÊNCIA DA DEFESA QUANTO À  DOSIMETRIA. PEDIDO DE REDUÇÃO DA PENA ABAIXO DO MÍNIMO LEGAL, NA SEGUNDA FASE DA DOSIMETRIA, EM RAZÃO  DA INCIDÊNCIA DA ATENUANTE DE CONFISSÃO ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO IMPOSTA PELA SÚMULA 231 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PEDIDO DE AFASTAMENTO DA CONTINUIDADE DELITIVA. NÃO CABIMENTO. CONJUNTO PROBATÓRIO ROBUSTO. PALAVRA DA VÍTIMA. RELEVÂNCIA. PLEITO DE ALTERAÇÃO DO REGIME PRISIONAL IMPOSTO NA ORIGEM. IMPOSSIBILIDADE. PATAMAR DA PENA FIXADA. APELAÇÃO CONHECIDA E IMPROVIDA

Leia mais

Sem documento exigido no edital, não há direito à participação em etapa do Revalida

A invocação do princípio da isonomia em concursos públicos não pode servir para afastar as próprias regras que garantem a igualdade entre os candidatos....

Servidor não pode perder tempo de serviço por atraso da administração na formalização de atos

O marco inicial para progressão funcional de servidor público deve corresponder ao momento em que são preenchidos os requisitos legais, especialmente o tempo de...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Paciente que abandona tratamento por vontade própria não tem direito a indenização

A 7ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) manteve sentença que negou pedido de indenização...

Comissão aprova proibição do termo ‘quarto de empregada’ em projeto arquitetônico

A Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei Complementar 18/25, que proíbe o uso...

Comissão aprova projeto que permite o afastamento imediato de agressores de crianças

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 747/25, do...

Ex-presidente do BRB pede transferência à PF para negociar delação

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, preso na quarta fase da Operação Compliance Zero, pretende...