Sem competência para julgar ação civil, juiz não pode simplesmente arquivá-la

Sem competência para julgar ação civil, juiz não pode simplesmente arquivá-la

O Ministério Público, em Manicoré, representado pelo Promotor de Justiça Cláudio César Tanajura Sampaio, promoveu ação civil pública contra Joelmo Bordignon, e narrou ao Judiciário que, conforme constatação do IBAMA, houve uma devastação ambiental na zona rural do Município, pois o réu utilizou fogo sem autorização em área de floresta amazônica, perfazendo danos à floresta em área de 510 hectares. A ação se arrastou durante anos, pois foi proposta em 2010, sem que o pedido de ressarcimento ao dano ambiental fosse julgado, até que em 2019, o juiz Eduardo Alves Walker julgou extinto o processo, sem análise de mérito, por entender que dentre outros motivos jurídicos, não poderia subsistir a legitimidade do Ministério Público Estadual para promover a ação. A decisão foi reformada em recurso do Promotor de Justiça Vinicius Ribeiro de Souza. Foi Relator Cláudio Roessing. 

A irresignação do parquet estadual consistiu no fato de que a invocada competência absoluta da justiça federal apontada pelo magistrado não teria, como consequência jurídica, a extinção do processo sem julgamento do mérito, tal como a medida adotada pelo juízo recorrido. 

O encaminhamento dos autos a Justiça reconhecida como a competente para o processo e julgamento do feito foi o que, então, pretendeu o Promotor de Justiça, além de que se reportou ao fato de que não seria carecedor de ação, como decidido pelo juízo na origem, pois os danos imporiam sua comprovação em sede de instrução processual. Havendo o interesse da União, como fundamentado, outro caminho além de encaminhamento do autos ao Poder Judiciário Federal, não haveria de ser percorrido. 

Para o julgado, a lei que rege a ação civil pública não faz distinção entre o Ministério Público Estadual e o Federal para a proteção dos bens jurídicos nela descritos, até porque entre há previsão no texto de referida lei da formação de um litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos Estadual e Federal. 

Doutra banda, a prevenção para evitar déficit meritório sobre a proteção de interesses coletivos encampados pela ação civil pública devem ser evitados, não se justificando que questões processuais impeçam o estabelecimento da relação jurídica de tamanha relevância para o meio ambiente, especialmente o meio ambiente equilibrado a que todos tem direito constitucionalmente. Assim foi cassada a sentença de primeiro grau. 

Leia a ementa:

pelação Cível n.º 0001357-57.2013.8.04.5600 Fórum de Manicoré 1ª Vara de
Manicoré. Apelante : Ministério Público do Estado do Amazonas Apelado : Joelmo Bordignon
Relator : Cláudio Roessing APELAÇÃO EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA. NA CONSTATAÇÃOPELO JUÍZO ESTADUAL DE SUA INCOMPETÊNCIAABSOLUTA PARA PROCESSAR A AÇÃO CIVIL PÚBLICA PORHAVER INTERESSE DA UNIÃO, NÃO CABE A EXTINÇÃO DOFEITO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO, PORÉM A SUAREMESSA PARA A JUSTIÇA FEDERAL. ATUAÇÃO DOPRINCÍPIO INSTITUCIONAL DA UNIDADE DO MINISTÉRIOPÚBLICO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO PARAREFORMAR A SENTENÇA.

 

 

 

Leia mais

Embarques frustrados e café da manhã no lugar do almoço levam Azul a indenizar passageiro no Amazonas

Juiz Caio César Catunda de Souza condenou a Azul a pagar R$ 5 mil por danos morais após dois embarques frustrados e espera de...

Manter ex-cônjuge em contrato de imóvel após divórcio e causar prejuízo gera dano moral

Depois do divórcio, um homem ficou com o imóvel e assumiu sozinho o financiamento, mas a instituição habitacional não retirou a ex-esposa do contrato,...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Embarques frustrados e café da manhã no lugar do almoço levam Azul a indenizar passageiro no Amazonas

Juiz Caio César Catunda de Souza condenou a Azul a pagar R$ 5 mil por danos morais após dois...

Justiça do Trabalho decide que sistema de gamificação em avaliação de desempenho não configura abuso

A juíza Ana Luiza Fischer Teixeira de Souza Mendonça, titular da 1ª Vara do Trabalho de Governador Valadares (MG), ...

Justiça mantém demissão por justa causa de professora que puxou criança pelo agasalho

A Justiça do Trabalho da 2ª Região manteve a dispensa por justa causa de professora de educação infantil captada em...

Justiça condena plataforma a reativar perfil suspenso e indenizar usuário por danos morais

O 5º Juizado Especial Cível e Criminal da Comarca de Mossoró (RN) condenou uma plataforma de rede social ao...