Juiz de São Paulo é inspiração de disciplina e dedicação nas artes marciais e na Justiça

Juiz de São Paulo é inspiração de disciplina e dedicação nas artes marciais e na Justiça

Seja com a toga ou com o quimono, o juiz Benedito Sérgio Oliveira, da 2ª Vara Cível da Comarca de Ribeirão Preto em São Paulo, mantém na atividade que estiver exercendo as lições de disciplina e respeito que adquiriu ao longo de uma vida dedicada à Magistratura e às artes marciais. Campeão brasileiro, pan-americano e sul-americano, o atual primeiro colocado nos rankings paulistas na categoria “Master 7, meio-pesado, até 100kg”, de veteranos, é o retratado no Inspirações deste mês, projeto que destaca histórias de vida, habilidades e curiosidades sobre servidores e magistrados.

A história de Benedito Oliveira, mais conhecido como “Benê”, no Judiciário, começou quando ele era muito jovem, ao ingressar em um cartório como auxiliar aprendiz. “A partir desse momento, fui me interessando pela área do Direito e da Justiça. Tornei-me escrevente em 1978 e daí em diante a escolha pela Magistratura foi algo natural”, conta ele. O ingresso na judicatura ocorreu em 1988 e desde então ele atuou também nas comarcas de Jardinópolis e Santa Rita do Passa Quatro.

A dedicação e disciplina que levaram o aprendiz a se tornar juiz no maior Tribunal de Justiça da América Latina são características que foram aprimoradas também nos tatames. “Desde criança gostava muito de esportes, especialmente de lutas – nas brincadeiras, filmes e espetáculos que assistia, revistas e gibis que lia –, tudo tinha a ver com o esporte. Já na adolescência, o judô me chamou a atenção, porque, além da atividade física, ele tem um lado filosófico, voltado a grandes valores como honestidade, disciplina e respeito. Com 14 anos, passei a praticar e, a partir daí, sempre participei de campeonatos”, contou ele.

Para o magistrado, conciliar o ofício com o esporte sempre foi muito positivo e recompensador. “A vida de magistrado não é fácil. São muitos processos envolvendo questões das mais variadas, muitas delas angustiantes”, apontou. Para ele, a arte marcial contribui para enfrentar os problemas do dia a dia, pois o judô é baseado em princípios filosóficos e morais – como cortesia, coragem, honra, honestidade, modéstia, respeito, autocontrole e amizade –, que influenciam não só a técnica de combate, como também toda a vida do judoca para além do esporte. “O judô também auxilia na minha primordial atividade, que é a de magistrado. Quando me deparo com algum obstáculo no trabalho, ou mesmo em outros aspectos da vida, sempre faço um paralelo com o judô: se já venci aquele duríssimo combate no tatame, também posso vencer os outros de fora.”

Aos 61 anos de idade, Benedito soma centenas de medalhas conquistadas em solo brasileiro e em outros países. “Todas as competições são marcantes para mim, principalmente as internacionais. Subir no pódio representando o País e ouvir o Hino Nacional é sempre o ponto máximo para um atleta”, destacou.

Se a rotina é árdua e intensa como juiz, como atleta não é diferente. Mas todo esforço é sempre recompensador, considerou o lutador. “No judô, as dificuldades são quase sempre as mesmas: torneio longo, cansativo, várias competições seguidas e com atletas fortes. Nos torneios internacionais, agregamos muita experiência, especialmente por contar com muitos atletas que nos possibilitam conhecer estilos diferentes.”

Enquanto se prepara para disputar o título mundial, Benedito de Oliveira participa de outros torneios. No mês de maio, na Bahia, saiu vencedor nos campeonatos Pan-Americano de Veteranos e Kata, Sul-Americano de Veteranos e Open Pan-Americano de Veteranos, realizados seguidamente. “Essas competições sempre agregam experiência, entrosamento, além de promoverem uma união, uma maior integração com nossos atletas brasileiros. O clima de união e força foi muito importante e gratificante”.

Para o magistrado, tanto nos tribunais quanto nos ginásios, as responsabilidades e gratificações são interligadas. “O judô faz parte da minha vida, em todas as áreas. Além de contribuir para o fortalecimento físico, ajuda a manter o foco, a disciplina e a enfrentar os problemas. Afinal, o judô ensina a cair e a se levantar.”

Fonte: Asscom TJ-SP

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