Assédio sexual cometido por motorista de Uber mantém afastamento dos serviços com a plataforma

Assédio sexual cometido por motorista de Uber mantém afastamento dos serviços com a plataforma

O Desembargador Flávio Humberto Pascarelli, do Tribunal de Justiça do Amazonas, fixou que o motorista de aplicativo que tenha conduta inadequada, ainda mais quando há registro, na plataforma da empresa, de que tenha se comportado com insinuações sexuais, com o passageiro, incide em irregularidade que permite ser bloqueado ou suspenso de suas atividades. Na decisão, Pascarelli rejeitou o apelo de João Benarrós contra sentença que concluiu pela regularidade da suspensão da Uber do Brasil contra o motorista em ação que exigiu danos morais pela suspensão. 

Para a decisão, a inscrição no Aplicativo de prestação de serviços de transporte exige que o interessado se vincule às normas correspondente. O desligamento do motorista parceiro do aplicativo, no caso o Uber, em consequência de conduta inadequada, reincidente e injustificada, especificamente, assédio sexual, é previsto no contrato e não enseja indenização por danos materiais e morais, como pedido na justiça. 

Na ação, o autor levou à Justiça o entendimento de que a suspensão sofrida lhe causou prejuízos, pois foi impedido de exercer seu trabalho, lhe sendo tolhido o direito de lucrar com o serviço por ter sido desligado da plataforma sem a observância de aspectos legais e regulamentos da própria Uber, não sendo procedente o ato unilateral de desligamento, como ocorrido. Com a sentença desfavorável, sobreveio o recurso de apelação. 

O julgado observou que não se aplicaria o Código de Defesa do Consumidor, como pedido, pois os usuários do aplicativo são os consumidores do serviço de transporte oferecido, e que o motorista é o fornecedor por intermédio do aplicativo, que possui um regulamento que deve ser cumprido pelo parceiro. Entre as regras se encontra definido que o motorista, por exemplo, não paquere, flerte, não exiba objetos ou fotos com conotação sexual, o que, violado, constitui-se em fato impeditivo ao direito que teria sido reclamado na ação, não sendo ilegal o desligamento. 

Processo nº 0671667-45.2019.8.04.0001

Leia o acórdão:

APELAÇÃO CÍVEL Nº 0671667-45.2019.8.04.0001. EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. MOTORISTA DE UBER. OBRIGAÇÃO DE FAZER E REPARAÇÃO DE DANOS. RECADASTRAMENTO. CONDUTA INADEQUADA E REINCIDENTE VERIFICADA. DESLIGAMENTO DO APLICATIVO. REGULARIDADE. INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. IMPROCEDÊNCIA. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO

 

Leia mais

Investigação sobre escola ao lado de presídio leva MPAM a anunciar ações por improbidade em Humaitá

Uma investigação iniciada para apurar a instalação de uma escola municipal de educação infantil em um imóvel localizado nas proximidades da Unidade Prisional de...

Justiça condena União e FGV por reduzir tempo de prova de candidata com deficiência

A Justiça Federal em Roraima condenou a Fundação Getulio Vargas (FGV) e a União a indenizar uma candidata com deficiência que teve o tempo...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Defesa de Bolsonaro esclarece armas não encontradas pelo Exército

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro enviou nesta terça-feira (7) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal...

Moraes dá 10 dias para PF ouvir Flávio em caso de calúnia contra Lula

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou nesta terça-feira (7) a Polícia Federal (PF) colher...

STJ afasta possibilidade de reconhecimento de papiloscopistas da PF como peritos oficiais

A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) afastou a possibilidade de reconhecimento dos policiais federais que realizam...

Revendedora é condenada por não entregar documentação de veículo vendido

A 2ª Vara da Comarca de Canguaretama/RN julgou de maneira procedente uma ação movida por uma consumidora contra uma...