Entrega que falha: empresa deve indenizar por produto pago e nunca recebido no Amazonas

Entrega que falha: empresa deve indenizar por produto pago e nunca recebido no Amazonas

A Justiça do Amazonas condenou a EBAZAR COM BR LTDA ao pagamento de indenização por danos materiais e morais após reconhecer falha grave na prestação do serviço em uma relação de consumo marcada pela não entrega do produto e ausência de reembolso, mesmo após o pagamento integral.

No caso analisado, a consumidora comprovou ter adquirido mercadorias junto à empresa, sem que a entrega fosse realizada ou que houvesse devolução dos valores pagos. Apesar de regularmente citada, a ré não apresentou prova idônea de reembolso, limitando-se a juntar um simples “print”, considerado pelo juízo insuficiente como elemento probatório.

O ponto que pesou decisivamente foi a total ausência de comunicação ao consumidor sobre qualquer impossibilidade de cumprimento do contrato. Para o juízo, não basta alegar tentativa de solução administrativa: é indispensável comprovar que o consumidor foi informado e que o valor foi efetivamente restituído — o que não ocorreu.

Ao examinar o mérito, o magistrado enquadrou a controvérsia como típica relação de consumo, aplicando o regime da responsabilidade objetiva do fornecedor, nos termos do artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor. A sentença reconheceu que a simples falta de entrega do produto pago, somada à inércia no reembolso, extrapola o mero aborrecimento, configurando falha relevante na prestação do serviço.

O juízo também afastou qualquer exigência de prova específica do dano moral. Segundo a fundamentação, trata-se de hipótese em que o dano é presumido (in re ipsa), decorrendo diretamente do ilícito contratual. A decisão cita a doutrina de Sérgio Cavalieri Filho para reforçar que, comprovada a conduta ilícita, o prejuízo moral se presume pelas regras da experiência comum.

Com base nisso, a empresa foi condenada ao pagamento de R$ 1.434,00 por danos materiais, correspondentes ao valor desembolsado, além de R$ 4.000,00 a título de danos morais. A sentença também fixou critérios detalhados de juros e correção monetária, observando a transição para o regime da taxa SELIC após a entrada em vigor da Lei nº 14.905/2024.

A decisão foi proferida pelo juiz Marcelo Manuel da Costa Vieira, que julgou a ação procedente, sem condenação em custas ou honorários em primeiro grau.

O caso reforça a compreensão já consolidada de que, no comércio eletrônico, o risco da atividade é do fornecedor — e que a não entrega do produto, aliada à retenção indevida do valor pago, gera dever de indenizar independentemente da demonstração de prejuízo concreto. A empresa recorreu. 

Processo n.: 0694244-17.2025.8.04.1000

Leia mais

Cármen Lúcia aponta questionamento tardio da defesa no Caso Fred e rejeita recurso de condenados

Ministra destaca intervalo de 12 anos sem contestação das irregularidades da instrução; decisão mantém penas de 33 anos e sete meses de prisão para...

STF barra pedido de aluguel social para famílias removidas pela Prefeitura de Manaus

Nunes Marques considera inadequada a via utilizada pela Defensoria e entende que ocupação recente não está abrangida pelas medidas invocadas na ADPF 828. O ministro...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Fachin homologa delação de investigado no caso Master

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu nesta sexta-feira (6) homologar a delação premiada do...

Justiça Federal rejeita ação de improbidade contra Bolsonaro

A Justiça Federal decidiu rejeitar na quinta-feira (5) uma ação de improbidade administrativa protocolada pelo Ministério Público Federal (MPF)...

Justiça Eleitoral terá atendimento remoto em Libras

Pessoas surdas ou com deficiência auditiva poderão contar com intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) durante o atendimento...

Advogada é condenada a retirar publicação nas redes sociais que incentivava demissões por convicção política

A 1ª Vara do Trabalho de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, determinou que uma advogada retire de suas redes...