Tempo perdido do Paciente na espera de hemograma em hospital de Manaus gera dever de indenizar

Tempo perdido do Paciente na espera de hemograma em hospital de Manaus gera dever de indenizar

Mesmo depois de mais de 10 horas de espera no Hospital, tempo que decorreu entre o atendimento e o aguardo na realização de um hemograma solicitado, a paciente não teve acesso às informações sobre o exame realizado, o que deu causa a que a Autora Laura Barbosa,  ingressasse na justiça e pedisse indenização, com amparo no código de defesa do consumidor, demonstrando falha na prestação dos serviços. A ação foi julgada procedente contra o plano de saúde Hapvida, que insistiu não ter legitimidade para ser réu na ação, ao fundamento de que  o fato se deu no hospital conveniado, São Lucas, em Manaus. A tese não restou acolhida pelo voto condutor de João de Jesus Abdala Simões. 

Para o relator, se houve falha na prestação do serviços hospitalar conveniado, o plano de saúde é, sim, parte legítima para figurar no polo processual passivo da ação, o que, ante o exame do mérito, julgado procedente, deu azo a que sentença de primeiro grau fosse mantida por decisão da Corte de Justiça, afastando-se a tese de que o plano de saúde não teve nenhuma participação nos fatos apresentados.

“Nos termos da jurisprudência pátria, diante da falha na prestação de serviço do hospital conveniado, o plano de saúde deve responder, ao menos solidariamente, pelos danos causados ao paciente, não cabendo a excludente de responsabilidade ao caso”. Ademais, a relação entre os planos de saúde e o paciente é uma relação de consumo.

O julgado considerou que o caso fora de um fluxo normal de atendimento, e que a espera de quase 12(doze) horas de um simples resultado de hemograma configurou-se abusiva, configurando uma demora excessiva, em flagrante negligência/imperícia, especialmente no que disse respeito às informações quanto ao diagnóstico/tratamento em relação ao tempo perdido pelo paciente, autor na ação. 

Processo nº 0636299-72.2019.8.04.0001

Leia o acórdão:

APELAÇÃO CÍVEL Nº 0636299-72.2019.8.04.0001. Apelante: Hapvida Assistencia Medica Ltda. Autora: Lauro Barbosa. EMENTA: DIREITO CIVIL. DIREITO DO CONSUMIDOR. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ORDINÁRIA. DEMORA EXCESSIVA NO ATENDIMENTO HOSPITAL. SOLIDARIEDADE DO PLANO DE SAÚDE. DANO MORAL. VALOR ADEQUADO. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. I – Diante da falha na prestação de serviço de hospital
conveniado, o plano de saúde deve responder, ao menos solidariamente, pelos danos causados ao paciente, não cabendo a excludente de responsabilidade ao caso, razão pela qual não merece guarida a preliminar invocada; II – Inconcebível entender como FLUXO NORMAL a espera de quase 12 (doze) horas de um simples resultado de hemograma, configurando-se, assim, conduta abusiva (demora excessiva, posto que há flagrante negligência/imperícia, especialmente no que tange as informações quanto ao diagnóstico/tratamento, bem como, ao tempo perdido pelo paciente – consumidor);
III – Comprovada a existência de ato ilícito, asseverase que o montante de R$5.000,00 (cinco mil reais) de condenação por danos morais é proporcional e adequado aos parâmetros da jurisprudência pátria

 

Leia mais

Justiça condena sete por tráfico de cetamina no caso Djidja; sentença não julga morte da ex-sinhazinha

Nova decisão substitui sentença anulada pelo TJAM e absolve três acusados por falta de provas; processo trata exclusivamente de tráfico de drogas e associação...

IBAMA recorre ao STJ para tentar mudar decisão que manteve arara com a tutora

Ao manter provisoriamente uma arara-canindé com sua tutora, o desembargador federal Eduardo Martins, relator do caso no TRF1, destacou que a adquirente apresentou documentação...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça condena sete por tráfico de cetamina no caso Djidja; sentença não julga morte da ex-sinhazinha

Nova decisão substitui sentença anulada pelo TJAM e absolve três acusados por falta de provas; processo trata exclusivamente de...

PT aciona TSE contra Flávio Bolsonaro sobre urnas eletrônicas

A Federação Brasil da Esperança (Fé Brasil), composta pelo PT, PV e PCdoB, entrou nesta quarta-feira (22) com uma...

STF examina se restrição ao uso de banheiros por pessoas trans, no Pará, viola a Constituição

O Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir se é compatível com a Constituição uma lei do Estado do Pará...

Justiça do DF manda Virginia apagar publicidade irregular de bets

A Justiça do Distrito Federal determinou que a influenciadora digital Virginia Fonseca retire de suas redes sociais postagens de...