O Parlamento Europeu decidiu nesta terça-feira (20) suspender o processo de ratificação do acordo comercial negociado entre a União Europeia e os Estados Unidos no ano passado, em meio à escalada de tensões com a administração do presidente Donald Trump.
A medida representa um endurecimento significativo nas relações transatlânticas e um sinal de insatisfação dos legisladores europeus com a política externa norte-americana.
Segundo líderes de grupos parlamentares, incluindo o maior bloco, o European People’s Party (EPP), há um amplo consenso de que os trabalhos sobre o acordo — que previa, entre outras medidas, redução de tarifas e facilitação de comércio entre EUA e UE — não podem seguir em frente enquanto persistirem as ameaças e pressões de Washington no contexto da disputa pela Groenlândia.
A suspensão ocorre após Trump ter vinculado a possibilidade de acordos comerciais à sua demanda por apoio à aquisição da ilha ártica, além de ameaças tarifárias que incluem sobretaxas sobre produtos de países europeus. A postura provocou duras reações de membros do Parlamento, bem como de governos europeus que consideram tais táticas inaceitáveis e contrárias às normas de cooperação entre parceiros comerciais.
Autoridades europeias reforçaram a posição em Bruxelas e em debates públicos. O ministro das Relações Exteriores da França declarou apoio à suspensão do acordo e criticou o uso de tarifas como instrumento de coerção política, ressaltando a importância de defender os interesses econômicos do bloco.
A decisão reflete um momento de ruptura nas relações comerciais e diplomáticas transatlânticas, acentuado pelo que líderes europeus descreveram como uma postura agressiva dos EUA. Críticos europeus caracterizam as recentes ameaças tarifárias e pressões políticas de Washington como uma forma de “novo colonialismo”, e enfatizam que a defesa da soberania da Groenlândia e do direito internacional deve acompanhar qualquer negociação sobre comércio e segurança.
Especialistas apontam que a suspensão da ratificação pode ter consequências econômicas e geopolíticas amplas, incluindo a possível consideração de medidas retaliatórias da UE, como tarifas sobre produtos americanos, no âmbito de instrumentos de defesa comercial disponíveis ao bloco.
Essa movimentação marca um dos momentos mais significativos de tensão entre a União Europeia e os Estados Unidos nos últimos anos, indicando que questões estratégicas e políticas externas podem reconfigurar acordos comerciais previamente considerados prioritários por ambas as partes.
