Habeas Corpus é inadequado para converter tráfico em uso de drogas se há provas da mercancia

Habeas Corpus é inadequado para converter tráfico em uso de drogas se há provas da mercancia

Em decisão monocrática, o Ministro Joel Ilan Paciornick, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou conhecimento a um habeas corpus impetrado pela defesa de um condenado por tráfico de drogas no Amazonas. A defesa buscava a desclassificação do crime de tráfico para o de uso de entorpecentes.

O pedido se baseava na suposta teratologia no acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), que manteve a condenação em julgamento de recurso de apelação. O STJ entendeu que o habeas corpus, por sua natureza constitucional e rito célere, não se presta ao amplo reexame de provas, o que se imporia necessário para avaliar a tese do impetrante. 

O condenado alegou ausência de provas de mercancia, mas a decisão do TJAM foi considerada hígida. O acórdão atacado destacou que a simples posse de drogas fracionadas em embalagens indicava apenas fins comerciais, sendo desnecessária a comprovação de venda efetiva.

A defesa havia alegado que o autor não foi surpreendido pelos policiais comercializando as substâncias ilícitas, porém, com voto da Desembargadora Vânia Maria Marques Marinho, do TJAM, a Primeira Câmara Criminal definiu que o crime é revelado por meio de ações múltiplas, bastando, para a consumação da conduta provas acerca da reprodução vivencial de quaisquer um dos dezoito verbos insertos no artigo 33 da Lei 11.343/2006.  

Além disso, foi rejeitada a tese de aplicação do princípio in dubio pro reo, uma vez que as provas contra o réu se evidenciaram harmônicas dentro do contexto investigado. 

Paciornick ressaltou que a análise de mérito do habeas corpus, utilizada como substitutivo de recurso próprio, não é possível sem o reexame do conjunto fático-probatório, algo incompatível com essa via processual.

A dosimetria da pena também foi confirmada, sendo negada a aplicação da causa de diminuição prevista no artigo 33, § 4.º, da Lei de Entorpecentes, devido à reincidência do condenado. Súmulas do STJ sustentam que reincidência pode ser considerada em diferentes momentos da fixação da pena. 

HC nº 947709 / AM

Relator Joel Ilan Paciornick/STJ

Data da publicação: 04/10/2024

Leia mais

MP cobra plano emergencial para eventual agravamento de vazamento de estireno em Manaus

O Procurador Ruy Marcelo de Alencar, do MPC, recomendou que os órgãos responsáveis pela resposta ao vazamento de estireno no Distrito Industrial de Manaus divulguem dados técnicos sobre a evolução da ocorrência e apresentem um plano para eventual agravamento do incidente.

Instrumento próprio de seguro afasta alegação de imposição na contratação do empréstimo

Acórdão da Turma Recursal Federal no Amazonas reitera que contratação de seguro prestamista por meio de instrumento próprio, separado do contrato principal de empréstimo,...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

CNPJ ativo não basta para provar que empresa continua em operação

A Subseção II Especializada em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho decidiu que o fato de uma...

Moraes nega pedido para Javier Milei visitar Bolsonaro em casa

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou neste sábado (18) o pedido para o presidente da...

Irmãos são condenados pela morte do contraventor Fernando Iggnácio

Os irmãos Pedro Emanuel e Otto Samuel D' Onofre Andrade Silva Cordeiro foram condenados pelo I Tribunal do Júri...

Henry Borel: Justiça nega recurso de Jairinho para anular julgamento

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro negou, nessa quinta-feira (16), recurso da defesa do ex-vereador Jairo Santos...